Educar Adolescentes em Tempos Difíceis
Elizabeth Monteiro
SUMUS EDITORIAL
www.elizabethmonteiro.com.br
“ A firmeza não exclui a delicadeza”
Elizabeth Monteiro é psicóloga. Trabalha com adolescentes, crianças e é claro, família e escola. Dá palestras e no livro: “Educar Adolescentes em Tempos Difíceis” socializa sua experiência além de dar algumas sugestões de como lidar com os adolescentes de hoje. Registrei, reflexões a partir de sua entrevista ao programa Opinião Livre, na MixTV:
O adolescente vive mudanças estruturais em seu corpo: nas sinapses neuronais, mudanças hormonais, no corpo, na voz. Isto se reflete num comportamento muitas vezes impulsivo e provoca uma agressividade defensiva: agride para se defender e para não ser agredido. É um ser frágil, amedrontado e ainda não sabe quem é. Isto o faz sofrer profundamente. No aspecto social procura auto-afirmar-se, quebrar regras. É rotulado de baderneiro, inconsequente, transgressor e não sabendo ainda quem é, assume justamente o rótulo que lhe é dado pela sociedade. Num contexto sócio-cultural onde falta tempo e o modelo de educação recebida pelos pais não cabe mais, os adultos manifestam insegurança e não sabem como agir diante de situações que envolvem limite, regras, ética e moral, fornecendo muitas vezes duplas mensagens. Esta duplas mensagens mais confundem do que ajudam na formação do caráter e auto-estima dos filhos.
Alguns exemplos trabalhados por Elizabeth em seu consultório:
Amenina tem que se preservar, mas o menino tem que namorar muito! A final, que modelo de conduta se espera? A moral precisa ser uma só!
Cerveja fora de casa não pode, prefiro que beba em casa comigo. Beber não é proibido para menores em qualquer ocasião e local?
Drogas: já que está usando, então vai usar dentro de casa. Drogas ilícitas são permitidas por lei?
Pra relaxar uma cervejinha e um cigarrinho, pra acordar um remedinho. Que tipo de exemplo a família dá? Como impedir que o adolescente ache normal fumo, álcool, uso indiscriminado de tranquilizantes ou estimulantes?
Pais que tratam conflitos familiares com hostilidade e agressividade. Como esperar uma atitude respeitosa dos filhos?
Pais mostram-se inseguros quando o adolescente diz que os pais dos colegas deixam fazer aquilo que eles não deixam. Como não deixá-lo inseguro?
O adolescente precisa ser respeitado e ouvido, não de que o adulto concorde com ele. Precisa saber que foi ouvido, compreendido. O papel do adulto neste diálogo é de compreensão e se necessário limite, mas sempre a partir do diálogo. Passar sua mensagem com confiança e confiando responsabilidades ao filho. Não adianta impor sua forma de pensar ou agir, seus conceitos, é preciso ser flexível. A imposição não funciona mais pois, o que o adolescente não faz na sua presença, provavelmente poderá fazer na sua ausência. A flexibilidade no diálogo e a disposição sincera de mudar seus pontos de vista e fornecer bons argumentos, pode ser favorável a uma boa relação com adolescentes. “Os pais precisam atualizar seu modo de sentir e amar.”
O adolesente precisa romper com as regras sim, é uma forma de auto-afirmar-se, mas não precisa ser pelo confronto, o diálogo pode ajudar: “Sou sua mãe, no meu tempo era diferente, me dá um tempo para me acostumar com isso que posso até mudar de opinião”, exemplifica a psicóloga.
Questione-se: que modelo eu quero para minha família? Está adaptado ao contexto social, histórico e cultural em que vivo? Oriente-se por você, pergunte-se: o que eu penso a respeito do que está acontecendo? Isto é certo pra mim? Explique seu modo de pensar e por que não concorda. Faça acordos quando a situação permite ser flexível. O que não é negociável geralmente envolve questões de saúde, leis ou segurança. Nestes casos o limite precisa ser dado com firmeza e delicadeza, o que é proibido É proibido: dirigir antes dos 18 e sem habilitação, bebida alcoólica para menores, roubar, enganar e por aí vai. Dar limite a partir do diálogo, procurando o melhor momento e esclarecendo seu modo de pensar. O elogio e a postura amiga ( não de coleguinha!), a cumplicidade só fazem aumentar a auto-estima e podem até despertar o desejo de não decepcionar sua família.
O interesse pelas atividades do adolescente, assistir o que ele faz no computador, no esporte, nas artes e no cotidiano, ajuda a conhecer seu mundo e aproximar-se, mas tendo o cuidado de não invadir ou querer igualar-se a ele. Pontuar as diferenças é importante, a conquista da confiança é fundamental.
O que um adolescente precisa do adulto é de boas orientações, elogios, respeito, precisa ser ouvido e ter a certeza de que foi compreendido. O resto vem com o tempo, o respeito passa a ser mútuo e ambos se beneficiam com uma relação assim.
Gisele Penteado da Silva Gomes
Especialista em Psicopedagogia Construtivista e
Informática na Educação
Vitória/ES, 29/10/2010